mudanca de comportamento

Compreendendo o processo de mudança de comportamento para conquistar mais saúde e bem-estar

Mudar hábitos e costumes não é fácil, concorda? E durante os últimos meses acabamos sendo ‘obrigados’ a mudar parte de nossa rotina devido a medidas de proteção e prevenção ao covid-19.

Neste cenário temos ouvido muitos relatos de pessoas que estão buscando aproveitar este momento de mudanças para desenvolver o autoconhecimento e o autocuidado, mesmo em meio a altas demandas de trabalho, como um preparo para sair mais forte quando ‘a vida voltar ao normal’.

Neste processo, em que momentos de autorreflexão fazem parte, é comum avaliarmos comportamentos que estão ligados ao nosso estilo de vida, como por exemplo, o nível de atividades físicas, a rotina alimentar e as estratégias para o controle do estresse.

Todos sabemos que um estilo de vida ativo e equilibrado são essenciais para a prevenção de diversas doenças, principalmente as crônicas não transmissíveis como Diabetes, hipertensão e cardiopatias, todas elas com origem multifatorial.

Esta origem se relaciona a fatores não-modificáveis (herança genética, gênero, idade…) e a fatores modificáveis, como o ambiente em que vivemos e os comportamentos e hábitos que desenvolvemos durante a vida, que inclui ter de encarar trânsito todos os dias, viver em local com ar mais puro ou não, consumo excessivo de álcool ou tabaco e alimentação desregrada, por exemplo.

No Brasil, pesquisas realizadas pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, mostram que 80% das comorbidades estão relacionadas aos fatores modificáveis.

Etapas da mudança de comportamento

Identificar os fatores de riscos e planejar mudanças comportamentais que levem à promoção de um estilo de vida mais equilibrado não é algo do dia pra noite, e sim um processo que envolve etapas.

No ano de 1982, os pesquisadores James Prochaska e Carlo Diclemente desenvolveram um estudo chamado Modelo Transteórico de Mudança (MTT), que visa compreender como ocorre a mudança de uma determinada conduta viciante, envolvendo nossas emoções, cognição e comportamentos. Esse modelo é estruturado nos seguintes pilares:

prochaska-diclemente

  • Pré contemplação: nesta fase, o indivíduo nega a existência do problema, pois não sabe que precisa mudar seu comportamento.
  • Contemplação: nessa etapa, o indivíduo reconhece que tem um problema, mas ainda não toma uma atitude a respeito dele. Começa a pontuar os pontos positivos e negativos da mudança.
  • Preparação: aqui, o indivíduo se apresenta pronto para a mudança, após perceber e entender o seu problema.
  • Ação: o indivíduo começa a colocar em prática transformações que mudarão o seu padrão de comportamento.
  • Manutenção: neste estágio a disciplina é exigida para que o novo hábito ou padrão se sustente e recaídas sejam evitadas.
  • Recaída: pode fazer parte do processo de mudança, traduzida por uma interrupção do estágio de ação ou de manutenção, com riscos de retorno aos estágios iniciais de modelo.
  • Término: o processo estará concluído quando o indivíduo demonstrar que não irá ceder à tentação de retornar ao comportamento antigo.

Como aumentar as chances de sucesso?

É importante termos em mente de que todo processo de mudança é individual e pessoal.

Independente da mudança que queremos fazer em nosso comportamento para conquistarmos mais saúde, bem-estar e uma longevidade com qualidade (ter uma alimentação mais natural, praticar atividades físicas regularmente, abandonar vícios – por exemplo), é importante reforçar que elas demandam esforço, persistência e também paciência (e muitas vezes suporte de profissional da saúde).

Muitas pessoas precisam e querem mudar comportamentos, mas muitas vezes tem dificuldade. Porém, seguindo as etapas do Modelo Transteórico de Mudança (MTT) proposto, é possível visualizarmos em qual fase nos encontramos para trabalhar internamente a melhor forma de caminhar para a seguinte.

Mudar é um processo circular, e podemos passar pelas mesmas etapas por várias vezes. Mas, uma vez que enxergamos onde estamos e onde queremos chegar, conseguimos gerenciar racionalmente a melhor forma de atingir nossos objetivos até que a mudança se torne permanente em nossas vidas.

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Rafael Piacenti

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É fundador da ElevaLife, graduado em Fisioterapia (2006), especialista em Fisioterapia Esportiva (foi fisioterapeuta da Seleção Brasileira de Basquete sobre Rodas – 2010-2018), em Gestão de Ergonomia (2010) com formação em Conceito Lean e MTM. Iniciou sua atuação na área da saúde do trabalhador em 2009 na Valtra (empresa do grupo AGCO) e fundou a FISIOFIT Saúde em 2011, unida à ERGONOMOS em 2014 e se tornando ElevaLife em 2019.
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